As dicas e imagens são retiradas do mangá BAKUMAN que pode ser lido em ingles no ONEMANGA.
Part 22: This fucking Editor...
Mashiro e Takagi não se deixam esmorecer (muito...) pelo cancelamento e tão logo começam a investir em outras séries. Porém eles acabam esbarrando num inimigo que não esperavam: seu próprio editor.

O que é um “Editor”? O próprio nome já diz: é uma “criatura que edita”.
Geralmente é uma pessoa com experiência na área editorial (muitas vezes tendo sido autor também) e que sabe o que é mais vendável ou não... o que é adequado ou não... o que deve ser mudado ou não... É ele quem irá pegar o trabalho bruto dos artistas e verificar se precisa de correções. Mais conhecido como: "o chato".
Editorias são um mal necessário. Elas PRECISAM existir! Não dá para abrir as pernas para absolutamente tudo que vem por aí. No caso dos quadrinhos no Brasil, esse sistema editorial de material bruto quase não existe, sendo que o trabalho dos editores de quadrinhos aqui é simplesmente selecionar o que lá de fora vai vir parar aqui dentro (e algumas nuances de traduções de obras).
Na internet, o editor não existe (exceto em caso de trabalhos colaborativos). Cada autor pode fazer o que der na telha. Isso pode ser ótimo do ponto de vista artístico, pois permite que a criatividade e imaginação corra sem grilhões – mas do ponto de vista profissional pode ser ruim, porque o autor muitas vezes não tem parâmetros para adequar a sua criatividade de modo que o público possa usufruir 100% dela.
No Japão, a função do editor é ainda mais profunda do que simplesmente pegar o material bruto e ditá-lo. Muitos literalmente criam o mangá em parceria com os autores, oferecendo à eles material para se inspirarem, dicas, comentários extensos e, se duvidar, até auxiliam o autor na parte prática, como roteiro e desenho.
...isso poder ser MUITO mal se editor e autor não estiverem em sintonia.
Nobuhiro Watsuki, autor de Samurai X (ou Rurouni Kenshin), teve graves problemas com editores logo depois que terminou sua obra máxima. Seu mangá, lançado logo após o final de Samurai X, “Gun Blaze West” sofreu interferência editorial demais, fazendo o autor fugir dos seus pontos mais fortes, e acabou sendo um fracasso...
Um fracasso menor também foi sua obra seguinte, “Busou Renkin” desesperadamente comercial e que não apresentava nada de novo – e que acabou naufragando também. Atualmente o autor está com uma nova série, “Embalming” finalmente um pouco mais solto das amarras editorias e mais contornado para ser uma boa obra.
Agora... Watsuki bem que poderia ter escrito, logo após Samurai X, esse Embalming, ou mesmo o tal Gun Blaze West, sem problemas, de maneira inteligente e divertida como ele sempre conseguiu, e feito sucesso, não?
...pois é... o editor dele não permitiu.
Editores devem sempre ser um contraponto para o autor, mas não podem ditar as regras. Por mais que a experiência dele seja maior, quem está realmente pegando no papel e na tinta é o AUTOR. É claro que se um novatão for tentar bater de frente com um editor lá no Japão ele simplesmente será tesourado da editora (se duvudar, ambos!). Mas isso não significa que eles estão totalmente impotentes, autores PODEM e DEVEM discutir com seu editor e tentar encontrar argumentos para que ambas as partes fiquem felizes.
... e se não conseguir, sempre haverá a Internet! Onde o autor pode pintar e bordar à vontade.
Part 23: “Jack of All Trades, Master of Nothing”
Mashiro e Takagi, após muitas brigas com seu editor, finalmente conseguem fazer as pazes e investem numa nova série: um mangá de comédia. Porém seu maior rival (e amigo), Nizuma, está preocupado... acreditando que seus colegas podem estar abrindo demais o leque, sem se focar em nada.

Nos países de língua inglesa, “Jack of All Trades, Master of Nothing” é uma expressão que indicaria basicamente uma pessoa que sabe fazer um monte de coisas, mas não manda especialmente bem em nenhuma. Uma tradução da frase seria mais ou menos “Aprendiz de tudo, Mestre de nada”.
Este é um mal que acomete muitos profissionais nas mais diversas áreas. Não só nas artísticas, porém especialmente nelas.
Imaginem um médico que acabou de se formar. Ele vai parar por aí? NÃO PODE!!! Todo “bicho” que entrar num curso de medicina sabe que, depois de passar 7 anos pagando 2 mil reais por mês na faculdade, terá que desprender mais alguns anos fazendo uma especialização. Medicina é um campo aberto DEMAIS e por isso a especialidade é praticamente obrigatória justamente para o futuro médico não ficar perdido.
Quando uma pessoa entra num curso de Jornalismo, pode ficar perdida no meio de tantas possibilidades: jornal impresso, rádio, web-jornal, televisão, web-tevê, assessoria de imprensa, livro-reportagem, Mestrado... que dirá então num curso de artes! Além de todas as dez artes, ainda há milhares de subdivisões dentro delas. E não são poucos os que querem investir em TUDO.
Não há nada de errado em experimentar, muito pelo contrário! Pois só assim um profissional pode descobri do que realmente é capaz. Porém, ficar SÓ em experimentações é nocivo (a não ser que você já seja um artista consagrado). Quanto mais rápido encontrar um rumo, melhor será.
No caso de um quadrinista, se ele tentar criar vários tipos de traço, corre o risco de não ser bom em nenhum deles. Pode até conseguir trabalho facilmente, mas BONS trabalhos dificilmente conseguirá. Será um eclético que jamais terá a dispensa ou a geladeira vazias, mas em compensação a garagem continuará só com eco... incluindo a estante da sala que ele adoraria encher de livros de artes caros.
Investir num rumo é uma aposta: pode dar certo ou não. Claro que pode ser arriscado, mas felizmente no ramo da arte você sempre tem a chance de se reinventar.
Portanto a dica é não ficar pirando demais em experimentações (OUVIU?!? *aponto o dedo para o espelho*) e tentar encontrar um rumo. Se não der certo, tente de novo! O que importa não é tanto o caminho, mas sim o caminhar... em linha reta, não em círculos!
Part 24: Selfish
Enquanto Mashiro e Takagi trabalham ardentemente, existem outros que resolvem se acomodar na situação...

A coisa que eu mais ouvia (e ainda ouço, de vez em quando) em muitos circuitos dos IQD&A “Ilustres Quadrinistas Desconhecidos & Anônimos” era o quanto ser quadrinista é difícil...
Artistas diversos reclamando que não conseguem entrar em editoras por causa de panelas e marmitas... e quando o problema era o fato de nenhum deles ter NENHUM trabalho para ser apresentado para as tais editoras-marmitex eles culpavam a falta de tempo, o Cosmos e até se tornavam religiosos por uns instantes: “Deus não me ajuda!”.
50% deles ainda tem a sorte de trabalhar com desenho, embora em posições pouco criativas, como Assistente de Arte, Assistente de Flash ou “o cara que mexe no scanner”. Bem... ao estudar desenho, é comum você tentar ganhar uma grana como assistente de arte ou coisa parecida mesmo. No entanto se você deseja ser um quadrinista você precisa ter em mente que, além do trabalho como assistente, você terá de arrumar um tempo para se dedicar ao seu objetivo. Não adianta vir com essa conversa de “não tenho tempo” porque isso é exatamente o que aparenta ser: conversa!
Quadrinistas brasileiros como Deodato Jr e Ed Benes tiveram que batalhar MUITO para terem ao mesmo tempo o pão de cada dia e a ampliação das suas habilidades de desenho. Deodato cortava cana e Benes era assistente de pedreiro. Mesmo trabalhando 12 horas por dia em trabalhos PESADOS, eles ainda arrumavam tempo para desenhar e enviar trabalhos para editoras americanas.
Hal Foster, criador do mítico Príncipe Valente, e um dos grandes deuses do traço, tinha que atravessar vários quilômetros de bicicleta nas estradas (ou não-estradas, pois estamos falando dos idos de 1919...) de Chicago para ir do seu local de trabalho tedioso até o seu curso de desenho. Viveu 40 décadas antes de finalmente conseguir publicar uma obra de sua autoria: Príncipe Valente, que o tornou um dos mais célebres cartunistas do mundo.
Eu poderia discorrer várias linhas dando milhares de histórias inspiradoras sobre Quadrinistas, Estilistas, Pintores, Atores, Músicos entre outros malucos que tinham tudo para não conseguirem vencer na carreira, mas conseguiram superar as dificuldades e, acima de tudo, não ficaram praguejando contra Deus e o mundo. Mas não vou fazer isso porque EU mesma preciso aproveitar este tempo para praticar mais desenho (e VOCÊ não pode ficar perdendo tempo lendo textos muito longos quando ´também tem de praticar).
Não existe Inspiração sem Transpiração, já diziam muitas pessoas. Mas infelizmente a maioria dos ditos “futuros quadrinistas” andam transpirando muito pouco (EU, inclusive! Admito!) e depois ficam reclamando de Panelinhas e Marmitas alheias. Ora, bolas! Se a sua colher de pau for realmente BOA, ela entra em todas as panelas!
Esse tipo de comodismo beira até mesmo a arrogância, pois o cara, só por ter tomado uns ligeiros pedregulhos na cabeça, acha que já sofreu o bastante e agora quer só um trabalho anônimo tranquilo (não é a toa que a palavra "Selfish" significa não apenas "Comodismo" como "Arrogância")
O importante é não se acomodar e pensar: “Tsk, to trabalhando das 8 às 18... não tenho tempo para desenhar o que quero...” CLARO que tem! Pare de choramingar e pegue, nem que seja aquela meia-horinha que você perde assistindo Big Bang Theory e vá para a mesa desenhar enquanto assiste às maluquices do Sheldon! Acredite... meia hora por dia, todos os dias, já vai fazer uma GRANDE diferença!
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E mais uma leva de dicas acabou! Até a próxima!

























